Setor calçadista do Vale do Jaguaribe pode ser atingido com tarifa de 50% imposta pelos EUA
Com a entrada em vigor prevista para o próximo dia 7 de agosto, a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ameaça diretamente a indústria calçadista do Ceará. No Vale do Jaguaribe, município como Russas aparecem entre os afetados, ainda que com volumes menores de exportação, e observam com apreensão os possíveis desdobramentos.
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A medida foi assinada pelo presidente norte-americano Donald Trump no fim de julho e atinge calçados, bolsas e artigos de couro. Esses produtos representam uma fatia importante da balança comercial cearense, sendo o quarto maior setor exportador para os EUA. No primeiro semestre de 2024, o Estado exportou cerca de US$ 52,6 milhões ao mercado norte-americano.
Embora a maior parte das exportações se concentre em polos industriais como Maracanaú, Quixeramobim e Sobral, cidades do interior jaguaribano também marcam presença nos registros da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Russas, por exemplo, movimentou pouco mais de US$ 5 mil em exportações do setor neste ano. Ainda que os volumes não sejam expressivos, esses dados apontam para a existência de negócios ativos que podem ser pressionados pelo novo cenário.
Empregos e incertezas
Em Sobral, onde está instalada a gigante Grendene, o impacto esperado é mais forte. No entanto, segundo sindicatos locais, ainda não há registro de demissões ou férias coletivas. A mesma incerteza ronda os municípios menores, onde a cadeia produtiva é menos robusta, mas sensível a alterações cambiais e tarifárias. O temor é que a adoção de medidas de contenção, como corte de turnos ou suspensão de contratos, também chegue às unidades de menor porte.
Rumo a novos mercados
Para especialistas, como a professora Larissa Amaral, da Unifor, o setor tem certa resiliência por sua sazonalidade, mas a adaptação a novos mercados exige tempo. Ela alerta que os produtos já negociados, com preços e prazos definidos, ainda seguirão afetados, enquanto empresas começam a reavaliar custos e destinos de exportação.

O que está em jogo
Mesmo com a concentração da produção exportadora nas regiões metropolitanas e no Sertão Central, a tarifa de Trump coloca em xeque a recuperação que o setor vinha experimentando. Segundo a Abicalçados, só no primeiro semestre de 2025, o Brasil já havia exportado mais de US$ 111 milhões em calçados para os EUA, registrando crescimento em relação ao ano anterior. Com a nova taxa, a previsão é de interrupção desse crescimento, o que pode reverberar em toda a cadeia, inclusive em municípios como Russas, onde o setor, ainda que pequeno, representa oportunidade econômica.
Enquanto sindicatos aguardam posicionamento das grandes marcas e as indústrias recalculam rotas, o Vale do Jaguaribe se mantém em alerta, torcendo para que os efeitos da medida sejam absorvidos com o mínimo de impacto social e econômico possível.
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Fonte: DN


