EUA taxa café e cacau, mas poupa 694 produtos brasileiros da tarifa de 50%
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira, 30 de julho, um decreto que impõe uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando a taxação total para 50%. Apesar da medida impactar diretamente o comércio bilateral, o governo norte-americano deixou de fora da lista de tarifas 694 itens exportados pelo Brasil.
Entre os produtos isentos da tarifa estão importantes commodities e itens industriais: suco de laranja (polpa, congelado e não congelado), aviões civis, combustíveis, petróleo bruto, veículos, peças automotivas, fertilizantes, produtos químicos, energia elétrica, minérios e metais como ferro e ouro.
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Produtos isentos de tarifação incluem:
Alimentos e bebidas:
- Castanha-do-Pará
- Suco de laranja (polpa, congelado e não congelado)
Minérios e metais:
- Minério de ferro (aglomerado e não aglomerado)
- Ferro-gusa
- Ferronióbio
- Ferroníquel
- Espiegeleisen
- Prata e ouro em lingotes ou doré
Energia e combustíveis:
- Carvões (antracito, betuminoso, lignito)
- Briquetes e coque
- Gás natural (liquefeito e gasoso)
- Óleos de petróleo
- Betume, alcatrão e resíduos
- Energia elétrica
Fertilizantes e químicos:
- Hidróxido de potássio
- Óxido de alumínio
- Fertilizantes NPK (nitrogênio, fósforo e potássio)
- Silício, cloretos e fenóis industriais
Produtos florestais e de celulose:
- Madeira tropical serrada
- Diversos tipos de polpa de madeira (conífera, não conífera, química, mecânica)
- Polpa de fibras derivadas de papel ou bambu
Aeronaves civis e peças:
- Motores, componentes, instrumentos, móveis e simuladores de voo
- Artigos plásticos, borracha, vidro e aço usados na aviação
Veículos e autopeças:
- Sedãs, SUVs, vans, caminhões leves
- Peças e componentes automotivos
- Produtos derivados de ferro, aço, alumínio e cobre
Itens humanitários e culturais:
- Doações (alimentos, roupas, medicamentos)
- Materiais informativos (livros, CDs, obras de arte)
Café, cacau e carnes serão taxados
Apesar das isenções, produtos importantes da pauta exportadora brasileira, como café, cacau e carne bovina, foram incluídos na lista de produtos que receberão a tarifa de 50%. A decisão causou surpresa, especialmente após o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, sugerir que produtos não produzidos em território americano — como café, cacau, manga e abacaxi — poderiam ser isentos.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que os Estados Unidos são o maior comprador de café brasileiro. Apenas em junho, os EUA adquiriram 15,9% do café não torrado exportado pelo Brasil, gerando US$ 148,2 milhões. Também lideraram as compras de cacau em pó, manteiga e pasta, com 42,6% de participação.
Já no mercado de frutas, a presença norte-americana é mais tímida: em 2024, os EUA foram o 17º maior comprador de abacaxis frescos ou secos do Brasil e apenas o oitavo no ranking das compras de manga, com menos de 1% de participação.

Tarifas como resposta política
Segundo a Casa Branca, as novas tarifas e sanções foram motivadas por ações do governo brasileiro que, segundo o texto oficial, “ameaçam a segurança nacional, a política externa e a economia dos EUA“. O comunicado acusa o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de perseguir opositores políticos e censurar empresas americanas no Brasil.
Além da taxação, os Estados Unidos também revogaram os vistos de oito ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O decreto entra em vigor no dia 6 de agosto e, de acordo com a gestão Trump, visa proteger a liberdade de expressão e os interesses comerciais dos EUA diante do que chamou de “abusos de poder por autoridades brasileiras“.
Enquanto isso, produtores e exportadores brasileiros aguardam os desdobramentos com preocupação, diante do impacto potencial sobre mercados estratégicos como o norte-americano.
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Fonte: R7

