Exclusão escolar atinge 37 mil no Ceará; maioria é negra, pobre e vulnerável

A exclusão escolar ainda é um desafio alarmante no Ceará. Cerca de 37 mil crianças e adolescentes, com idades entre 4 e 17 anos, estão atualmente fora da escola no estado, faixa etária em que o ensino é obrigatório no Brasil. Os motivos vão desde desinteresse pelos estudos até gravidez precoce, violência, trabalho infantil e falta de estrutura educacional, revelando um cenário de múltiplas vulnerabilidades.

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Em resposta a esse quadro, o projeto Busca Ativa Escolar (BAE), criado pelo Unicef em parceria com a Undime, tem sido fundamental para mudar histórias. De 2017 a 2025, quase 25 mil estudantes cearenses foram identificados e reconduzidos às salas de aula com apoio da iniciativa, o que garantiu ao Ceará o 4º maior resultado do País, atrás apenas do Pará, Bahia e Maranhão. No total, mais de 300 mil estudantes foram rematriculados em todo o Brasil por meio da plataforma do projeto.

A análise recente do Unicef mostra que o principal fator para a evasão escolar no Ceará é o desinteresse pelos estudos, uma realidade vivida por cerca de 9 mil jovens. Em seguida, estão a mobilidade frequente das famílias e a falta de identificação com o ambiente escolar. Fatores como doenças, deficiência, gravidez na adolescência, e diferentes formas de violência também impactam a permanência dos alunos.

A maioria dos excluídos da escola no Ceará é de meninos (60%) e negros, pardos ou indígenas (74%). Além disso, mais da metade pertence aos 20% mais pobres da população. Esses dados, segundo o Unicef, revelam uma exclusão escolar marcada por desigualdade social, racial e territorial.

A estratégia da Busca Ativa Escolar funciona com articulação entre áreas como educação, saúde e assistência social. Equipes interdisciplinares atuam desde a identificação dos casos até o encaminhamento aos serviços públicos, além de garantirem o retorno e a permanência dos estudantes na escola. A plataforma digital do projeto ainda facilita o acompanhamento dos casos pelas gestões municipais e estaduais.

A avaliação do impacto da iniciativa revela que mais de 70% dos municípios participantes reconhecem avanços na identificação de vulnerabilidades e mais agilidade nas ações de combate à evasão escolar. No âmbito estadual, quase 73% das gestões apontam melhorias significativas no enfrentamento das causas da exclusão.

No Ceará, a Secretaria da Educação (Seduc) afirma que a taxa de abandono escolar no ensino médio caiu de 11% em 2012 para 1,7% em 2023. Entre as ações implementadas estão o acompanhamento da frequência dos estudantes por meio de superintendências regionais, o projeto “Professor Diretor de Turma” e a iniciativa “Nem 1 Aluno Fora da Escola”.

Já em Fortaleza, a Secretaria Municipal de Educação (SME) aponta uma taxa de abandono de apenas 0,2%. A Capital utiliza um sistema de gestão educacional que monitora, em tempo real, a frequência dos alunos, permitindo ações imediatas como visitas domiciliares, contatos com responsáveis e comunicação com o Conselho Tutelar em casos mais graves.

Além da evasão, o acesso limitado à educação infantil também preocupa. Mais de 280 mil crianças de até 3 anos estão fora das creches no estado, o que representa 61% da população dessa faixa etária. Em Fortaleza, cerca de 10 mil bebês aguardam vaga, mas a cidade deve receber 22 novos Centros de Educação Infantil (CEIs) nos próximos meses, dez do Governo do Estado e doze do Ministério da Educação.

Segundo o Unicef, garantir o direito à educação vai além da matrícula. É preciso assegurar permanência, qualidade e inclusão. E isso exige políticas públicas com sensibilidade a gênero, raça e território, um esforço coletivo para que nenhuma criança ou adolescente seja deixado para trás.

 

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Fonte: DN

 

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