Transnordestina vai reduzir uso de 380 caminhões com trem de carga a partir de outubro

Após quase duas décadas de espera, a Ferrovia Transnordestina se prepara para iniciar, em outubro deste ano, o escoamento de grãos do interior do Piauí com destino ao Ceará. O empreendimento, considerado estratégico para a logística de cargas no Nordeste, será operado pela Transnordestina Logística S.A. (TLSA), que estima que cada composição ferroviária substituirá cerca de 380 caminhões.

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Com 126 vagões por trem, a ferrovia tem potencial para transformar a dinâmica do transporte de grandes volumes, especialmente em longas distâncias. A TLSA destaca ainda que a eficiência energética da ferrovia é um diferencial, com consumo de 2,6 litros por tonelada transportada, menos da metade do consumo médio dos caminhões, que gira em torno de 7 litros por tonelada.

Ainda assim, a ferrovia enfrenta um de seus principais desafios: o tempo de deslocamento. No percurso entre Eliseu Martins (PI) e o Porto do Pecém (CE), por exemplo, serão necessárias 32 horas, mais que o dobro do tempo necessário para cobrir a mesma distância por rodovia. Já o trajeto entre Bela Vista (PI) e Iguatu (CE) deve durar 12 horas por trem, enquanto o percurso rodoviário leva cerca de 6 horas.

Especialistas apontam que o setor ferroviário não concorre diretamente com os caminhões, mas sim os complementa. Enquanto o trem se destaca pelo volume transportado, os caminhões continuam sendo essenciais na etapa final da logística, especialmente na distribuição em áreas urbanas e portos secos. Para isso, o Governo do Ceará já anunciou estruturas logísticas complementares em cidades como Iguatu, Missão Velha e Quixeramobim.

A infraestrutura da Transnordestina está sendo construída com tecnologia moderna e trilhos de bitola larga (1,60 metro), diferente da antiga malha ferroviária da região, que utilizava trilhos de um metro de largura e foi projetada ainda no século XIX. A meta da concessionária é concluir a primeira fase da ferrovia, entre São Miguel do Fidalgo (PI) e o Pecém (CE), até o segundo semestre de 2027, com 1.206 quilômetros de extensão.

Enquanto a Transnordestina avança, a malha operada pela Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), entre Fortaleza e São Luís, busca renovação da concessão, prevista para encerrar em 2027. A expectativa é de que, com investimentos em modernização, o tempo de transporte nesse trecho seja reduzido em até 55%.

De acordo com o professor Bruno Bertoncini, da Universidade Federal do Ceará (UFC), a velocidade não é o fator determinante no modal ferroviário, mas sim a capacidade de carga, o custo por tonelada e a sustentabilidade. Já Heitor Studart, da Fiec, observa que o desgaste das rodovias e a superlotação dos caminhões mostram a urgência de se investir em modais alternativos.

Dados recentes da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) mostram que, embora o transporte ferroviário represente cerca de 25% do volume de cargas no Brasil, o modal rodoviário ainda domina com 75%, um cenário que pode mudar gradativamente com a consolidação da Transnordestina.

Mais do que um projeto de infraestrutura, a nova ferrovia representa um marco para a economia regional, com capacidade para transportar até 33 milhões de toneladas por ano, podendo dobrar esse número com a expansão da malha. Além disso, a previsão de novos terminais e portos secos ao longo do traçado reforça o papel da ferrovia como vetor de desenvolvimento para o Nordeste.

 

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Fonte: DN

		

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