Café tem primeira queda em 18 meses com safra farta e inflação menor
O café finalmente deu um alívio no bolso do consumidor em julho, após um ano e meio de aumentos consecutivos. De acordo com o IPCA-15, prévia oficial da inflação brasileira, o produto registrou queda de 0,36%, marcando a primeira retração nos preços desde dezembro de 2023.
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Esse recuo está ligado diretamente ao avanço da colheita nas regiões produtoras do país, o que ampliou a oferta interna do grão. A colheita, que começou em março e tem seu pico entre junho e julho, já vinha provocando queda nas cotações no campo, movimento que agora chega às prateleiras.
Apesar da queda recente, o café moído ainda acumula alta expressiva de 76,5% em 12 meses. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mostram que, em junho, o quilo do café tradicional foi vendido, em média, a R$ 66,70, quase o dobro do registrado um ano antes, quando custava R$ 35,17.
O cenário atual também se insere em um contexto mais amplo de desaceleração de preços dos alimentos. O grupo Alimentação e Bebidas, do qual o café faz parte, recuou 0,06% no IPCA-15 de julho. A inflação de alimentos como um todo já havia sido negativa em junho, contribuindo para conter a pressão inflacionária geral.
Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, as ações coordenadas pelo governo, como incentivo à agricultura familiar, crédito rural e melhorias logísticas, vêm ajudando a equilibrar os preços e proteger o poder de compra da população, especialmente das famílias de baixa renda.
De abril a junho, 16 das 17 capitais pesquisadas pelo Dieese registraram redução no custo da cesta básica. Alimentos essenciais como arroz, feijão, ovos e carne ficaram mais acessíveis, graças à combinação entre maior oferta de insumos e estratégias públicas para conter os preços.
No entanto, o setor cafeeiro acompanha com apreensão o anúncio de um tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. Caso entre em vigor em 1º de agosto, a medida poderá impactar as exportações de café, já que os EUA são os maiores compradores do produto brasileiro, respondendo por cerca de 16% das exportações.
Embora o possível impacto no comércio externo possa pressionar os preços internos, representantes do setor, como o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), destacam que mercados emergentes como China, Índia, Indonésia e Austrália estão preparados para absorver parte da produção, amenizando possíveis perdas.
A expectativa para os próximos meses é de continuidade na tendência de baixa dos preços, tanto pela oferta elevada da safra quanto pela estabilidade conquistada com políticas públicas. Para o governo, a queda na inflação dos alimentos simboliza um avanço significativo na luta contra a insegurança alimentar e o fortalecimento do poder de compra da população brasileira.
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Fonte: O Globo



