Pele de tilápia cearense será usada no SUS para tratar queimaduras e lesões
Uma inovação desenvolvida no Ceará promete transformar o tratamento de queimaduras e outras lesões graves em todo o Brasil. A pele de tilápia, produto 100% nacional, começará a ser produzida em larga escala para uso médico e deverá chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS) nos próximos anos, após aprovação da Anvisa.
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A tecnologia, fruto de uma década de pesquisa da Universidade Federal do Ceará (UFC), é considerada uma revolução na medicina restaurativa. O curativo biológico feito a partir da pele de tilápia liofilizada passará a ser produzido por uma empresa especializada, após um edital público selecionar o Grupo Biotec para conduzir o processo de licenciamento e industrialização do produto. A expectativa é que ele esteja disponível para comercialização até 2028.
O estudo que deu origem ao curativo teve início em 2015, reunindo 380 pesquisadores de nove países. A pele da tilápia-do-Nilo, o peixe mais consumido no Brasil, mostrou-se altamente eficaz na regeneração de tecidos, graças à grande concentração de colágeno tipo I. Essa proteína contribui para acelerar a cicatrização, reduzir a dor e formar uma barreira contra infecções.
Ao longo dos anos, a tecnologia foi testada em diversas aplicações clínicas, como no tratamento de úlceras, cirurgias de redesignação sexual, reconstruções vaginais e até em procedimentos veterinários. Os resultados indicaram redução dos custos hospitalares, menor necessidade de autoenxertos e menor tempo de internação dos pacientes.

Além da versão liofilizada, foram desenvolvidas outras formas do produto, como pele em glicerol, matriz acelular e colágeno purificado. O impacto científico da iniciativa é expressivo: já são 41 artigos publicados e 25 prêmios conquistados, todos em primeiro lugar. A UFC também depositou quatro patentes relacionadas à inovação.
Com a transferência da tecnologia para o setor produtivo e os trâmites para o registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o país se prepara para ver uma solução criada no Nordeste atender milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade. Cerca de 97% das vítimas de queimaduras no Brasil dependem exclusivamente do SUS.
A nova fase da tecnologia reforça o potencial da pesquisa cearense e representa uma conquista para a ciência brasileira, ao aliar inovação, acessibilidade e impacto social.
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Fonte: DN


