Há 40 anos morria Tancredo Neves, fiador da redemocratização do Brasil
Em 21 de abril de 1985, o Brasil perdia Tancredo de Almeida Neves, presidente eleito que faleceu sem tomar posse. Sua morte, após 39 dias de internações e sete cirurgias, abalou o país, que acompanhava com esperança o fim da ditadura militar iniciada em 1964. Mesmo sem assumir o cargo, Tancredo entrou para a história como o grande articulador da redemocratização brasileira.
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Figura central na transição política, o mineiro de São João del-Rei era conhecido por sua habilidade de diálogo, sua moderação e firme compromisso com a democracia. Foi descrito por historiadores como o “fiador da redemocratização”, alguém que acreditava na negociação como caminho para superar o autoritarismo.
Sua trajetória política começou nos anos 1930 e foi marcada por cargos de destaque, como ministro da Justiça de Getúlio Vargas, secretário de Finanças de Minas Gerais, senador e governador. Em 1961, foi o primeiro-ministro durante o breve período parlamentarista instaurado para viabilizar a posse de João Goulart.
Durante a ditadura militar, Tancredo atuou no MDB, partido de oposição, sempre dentro das regras do regime, costurando alianças e evitando confrontos diretos. Participou das articulações pelas Diretas Já e, embora a emenda Dante de Oliveira tenha sido rejeitada, ajudou a consolidar o ambiente político favorável à retomada do poder civil.
Em 15 de janeiro de 1985, venceu Paulo Maluf no colégio eleitoral com 480 votos, tendo José Sarney como vice. O slogan “Muda Brasil. Tancredo Já” traduzia o anseio por mudanças. Sua eleição representava o fim simbólico da ditadura, mas uma grave crise de saúde o impediu de tomar posse. Internado horas antes da cerimônia, acabou submetido a várias cirurgias e faleceu em São Paulo no Dia de Tiradentes.
O país mergulhou em comoção. Milhares de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre por São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e São João del-Rei, onde foi sepultado. Um ano depois, Tancredo recebeu oficialmente o status de ex-presidente da República.

José Sarney, que assumiu em definitivo, deu continuidade à missão: convocou a Assembleia Constituinte que elaborou a Constituição de 1988 e passou a faixa presidencial a Fernando Collor, eleito pelo voto direto. “A democracia não morreu nas minhas mãos. Pelo contrário, ela floresceu”, afirmou.
Quatro décadas depois, Tancredo é lembrado como símbolo da conciliação e do compromisso com o diálogo. Para o ex-porta-voz Antônio Britto, seu legado é ainda atual: “Política é o exercício do diálogo. E o diálogo se faz com quem pensa diferente”.
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Fonte: G1

