Bilionários dominam governo Trump, com fortuna maior que o PIB de 154 países
O governo de Donald Trump redefine padrões ao incluir bilionários no mais alto escalão. Dos 80 indicados para cargos-chave, 11 são bilionários, representando 12,5% do gabinete, apesar de bilionários corresponderem a apenas 0,00024% da população americana. A fortuna conjunta dessas personalidades ultrapassa US$ 452,8 bilhões (R$ 2,7 trilhões), valor maior que o PIB de 154 países, incluindo Dinamarca, Grécia e África do Sul.
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No centro das atenções está Elon Musk, o homem mais rico do mundo, com patrimônio estimado em US$ 428 bilhões. Ele liderará o Departamento de Eficiência do Governo, encarregado de reduzir gastos. Sua inclusão, no entanto, levanta questionamentos devido aos contratos de suas empresas, como Tesla e SpaceX, que juntas já receberam bilhões de dólares em subsídios e parcerias com o governo.
Outro destaque é Jared Isaacman, CEO da Shift4Payments, nomeado diretor da NASA. Amigo de Musk, Isaacman traz ao governo sua visão empresarial, mas sua proximidade com interesses privados gera preocupação sobre a independência da agência espacial americana.
Entre os bilionários, Stephen Feinberg, da Cerberus Capital Management (US$ 5 bilhões), assumirá um papel estratégico como secretário adjunto da Defesa, enquanto Warren Stephens (US$ 3,4 bilhões), herdeiro do Stephens Inc., será embaixador na Grã-Bretanha. Linda McMahon, cofundadora da WWE, liderará o Departamento de Educação, enquanto Howard Lutnick (US$ 1,5 bilhão) enfrentará a delicada missão de comandar o Departamento de Comércio em meio a tensões comerciais com a China.
A inclusão de Vivek Ramaswamy, dono da Roivant Sciences, e Scott Bessent, gestor de fundos, no Departamento de Eficiência do Governo e no Tesouro, respectivamente, reforça o perfil financeiro e empresarial do gabinete. Além disso, Steven Witkoff, magnata imobiliário, será enviado especial ao Oriente Médio, ampliando a presença de bilionários na diplomacia.
Controvérsias e críticas
A oposição democrata classifica o governo como uma “plutocracia”, alertando para possíveis conflitos de interesse. Um exemplo é Lutnick, cuja empresa mantém parcerias com companhias chinesas. Elon Musk também enfrenta escrutínio pelos laços financeiros de suas empresas com o governo e pela recente suspensão de um contrato estatal da SpaceX por falhas no cumprimento de metas.
Apesar das críticas, aliados como Dave Cavossa, presidente da Commercial Space Federation, celebram o potencial do gabinete. Ele destaca que nomes como Isaacman podem impulsionar a economia espacial, um setor com promessas de avanços em biotecnologia e mineração.
Multimilionários em destaque
Além dos bilionários, Trump selecionou multimilionários como Charles Kushner (US$ 500 milhões), futuro embaixador na França, e Frank Bisignano (US$ 900 milhões), que será comissionário da Segurança Social. Outros incluem Chris Wright (US$ 171 milhões) como secretário de Energia e Doug Burgum (US$ 100 milhões) no Departamento do Interior.
Uma nova era de governo?
Com um gabinete cuja fortuna excede 3.837 vezes a do governo Biden, Trump inaugura um novo modelo de administração, baseado em empresários de sucesso. Para muitos, trata-se de uma aposta no pragmatismo corporativo. Para outros, um perigoso precedente que pode afastar o governo das necessidades da classe média americana. Resta saber se o modelo bilionário trará benefícios à nação ou apenas aprofundará as desigualdades já existentes.
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Fonte: UOL




