Desemprego cai para 6,6%, menor nível em 12 anos, com alta de vagas no comércio
O Brasil segue apresentando bons resultados na recuperação de sua economia, refletidos pela queda contínua da taxa de desemprego. Segundo os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira, 27 de setembro, o índice de desocupação atingiu 6,6% no trimestre encerrado em agosto, marcando o menor patamar para o período em toda a série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. Esse resultado também se aproxima do nível mais baixo registrado para todos os meses do ano, alcançado em dezembro de 2013, quando a taxa foi de 6,3%.
A queda na taxa de desocupação está ligada ao crescimento na demanda por trabalhadores em diversos setores econômicos. O número de pessoas em busca de emprego recuou para 7,28 milhões, o menor número desde janeiro de 2015. Isso representa uma significativa diminuição em comparação com agosto de 2023, quando 8,4 milhões de brasileiros estavam desempregados.
No entanto, o mais impressionante é o aumento da população ocupada, que bateu um novo recorde. Hoje, o Brasil conta com 102,5 milhões de trabalhadores no mercado, um crescimento de 2,9% em relação ao mesmo trimestre de 2023, o que significa que mais de 2,9 milhões de pessoas foram inseridas no mercado de trabalho em apenas um ano.
O setor privado foi o maior responsável por essa absorção de mão de obra, empregando 52,9 milhões de pessoas, o maior número registrado desde o início da série histórica, em 2012. Além disso, o setor formal também atingiu números recordes, com 38,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada. No entanto, o mercado informal também apresentou crescimento, com 13,2 milhões de brasileiros inseridos nessa modalidade de trabalho.

Entre os segmentos que mais impulsionaram essa recuperação, o comércio se destacou ao gerar 368 mil novas vagas no trimestre encerrado em agosto, consolidando um total de 19,5 milhões de trabalhadores no setor, o maior contingente já registrado. Outros setores, como a indústria e os serviços, mantiveram-se estáveis, enquanto o setor público registrou um recorde de 12,8 milhões de trabalhadores, com aumento de 4,5% nos servidores sem carteira assinada, que são regidos por contratos temporários.
A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, destacou que a redução do desemprego está diretamente relacionada ao crescimento econômico e à maior demanda por trabalhadores em diversos setores. “O mercado de trabalho está em expansão, e isso reflete diretamente na redução da desocupação“, afirmou.

Outro ponto importante destacado no levantamento do IBGE foi a queda da taxa de subutilização da força de trabalho, que atingiu 16% no trimestre encerrado em agosto. Esse índice representa a soma de pessoas desocupadas, subocupadas e aquelas que, apesar de quererem trabalhar, não buscaram emprego. A redução também é vista no número de desalentados, que chegou a 3,1 milhões de pessoas, o menor desde maio de 2016.
Em relação à remuneração, o rendimento médio real dos trabalhadores brasileiros foi de R$ 3.228 em agosto, representando um aumento de 5,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O setor industrial foi o que mais contribuiu para esse crescimento, com alta de 7,3% nos salários. Outros setores, como construção, serviços e comércio, também registraram avanços significativos.
A massa de rendimentos, que é a soma de todos os salários pagos aos trabalhadores, atingiu R$ 326,2 bilhões no trimestre encerrado em agosto, uma variação positiva de 1,7% em comparação com o trimestre anterior. No comparativo anual, o aumento foi de 8%, com um acréscimo de R$ 24,9 bilhões aos rendimentos dos trabalhadores.

A Pnad Contínua é um estudo realizado pelo IBGE desde 2012, abrangendo todo o território nacional e avaliando a força de trabalho da população com 14 anos ou mais. Os dados apresentados não refletem a situação de cada mês isoladamente, mas sim o desempenho dos trimestres móveis do ano. Dessa forma, os números mais recentes mostram o cenário do mercado de trabalho entre os meses de junho e agosto de 2024.
A recuperação do mercado de trabalho, evidenciada pela queda do desemprego e pelo aumento na população ocupada, é um indicativo de que a economia brasileira segue em processo de recuperação, com diversos setores impulsionando a geração de vagas e a renda dos trabalhadores. Com isso, o Brasil se aproxima de um cenário de pleno emprego, algo que não era visto há mais de uma década.
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Fonte: UOL


