Julgamento de acusado pela morte de Zé Maria do Tomé acontece em outubro, após 14 anos

 

Em 21 de abril de 2010, Zé Maria foi emboscado e brutalmente assassinado com mais de 20 tiros, na localidade do Sítio Tomé, quando retornava para casa

 

O julgamento do caso que chocou o Vale do Jaguaribe e reverberou por todo o Brasil, o assassinato do ambientalista e líder comunitário Zé Maria do Tomé, está marcado para o dia 9 de outubro de 2024. O júri popular ocorrerá no Fórum Clóvis Bevilacqua, em Fortaleza, a partir das 8h. Esse julgamento, 14 anos após o crime, é um momento esperado por familiares, amigos e por muitos movimentos sociais que acompanham o caso de perto.

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Zé Maria do Tomé, nome pelo qual era conhecido José Maria Filho, foi uma das vozes mais importantes na luta contra a pulverização aérea de agrotóxicos na região da Chapada do Apodi, em Limoeiro do Norte. Agricultor e líder comunitário, ele defendia a agricultura familiar e a preservação do meio ambiente, principalmente a qualidade da água, utilizada tanto para o consumo humano quanto animal, ameaçada pelo uso indiscriminado de agrotóxicos nas plantações da região.

A sua atuação resultou em conquistas importantes, como a Lei Municipal n° 1.278/2009, que proibia a pulverização aérea de agrotóxicos no município de Limoeiro do Norte, a primeira do tipo no Brasil. No entanto, essa conquista trouxe também grandes inimigos. Zé Maria se tornou alvo de ameaças constantes, especialmente por empresários ligados ao agronegócio, que viam suas ações como um obstáculo aos seus interesses econômicos.

Em 21 de abril de 2010, as ameaças se concretizaram. Zé Maria foi emboscado e brutalmente assassinado com mais de 20 tiros, na localidade do Sítio Tomé, quando retornava para casa. O crime causou comoção na região e revolta entre os movimentos sociais e defensores do meio ambiente, não apenas pela brutalidade, mas também pela revogação da lei que ele tanto lutou para implementar, apenas um mês após sua morte.

O processo judicial que se seguiu foi longo e complexo. Dos seis suspeitos inicialmente identificados pela investigação policial, apenas Francisco Marcos Lima Barros, apontado como uma das pessoas que teria dado suporte ao crime, irá a julgamento em outubro. Os outros cinco envolvidos, incluindo dois acusados de serem os mandantes, conseguiram evitar o tribunal, seja por meio de recursos ou por falecimento ao longo dos anos.

O caso de Zé Maria do Tomé é emblemático em um país que, tragicamente, figura entre os mais perigosos para defensores de direitos humanos. O Brasil é o quarto no ranking mundial de assassinatos de ativistas que lutam pelo meio ambiente, pela terra e pela justiça social. O crime de Zé Maria, motivado por sua luta contra o agronegócio e pela defesa da Chapada do Apodi, tornou-se símbolo da violência no campo brasileiro.

Desde sua morte, diversos movimentos sociais, organizações de direitos humanos e pastorais da Igreja têm mantido viva a memória de Zé Maria do Tomé. O acampamento que leva seu nome, criado em 2014 em Limoeiro do Norte, é um dos muitos símbolos de resistência e luta por justiça social e ambiental. Ali, agricultores e defensores dos direitos humanos continuam a denunciar as práticas do agronegócio que envenenam a terra, a água e a vida da população rural.

O julgamento de Francisco Marcos Lima Barros representa um passo importante para que a justiça seja feita. No entanto, os movimentos envolvidos no caso esperam que novos elementos possam levar os verdadeiros mandantes do crime, responsáveis por ordenar o assassinato, a responderem judicialmente. A condenação do executor é vista como o início de um caminho que ainda precisa ser trilhado para que os culpados, de fato, paguem por seus atos.

“Companheiro Zé Maria, aqui estamos nós, falando por você, já que calaram sua voz!”, ecoam as palavras dos militantes e organizações que, em nome de Zé Maria, continuam a luta que ele começou. O julgamento, marcado para 9 de outubro, é um momento decisivo para a memória de Zé Maria do Tomé e para todos aqueles que defendem os direitos humanos no Brasil.

 

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