Ceará, Acre e Pernambuco se destacam com menor desigualdade salarial entre homens e mulheres
Outros estados nordestinos também aparecem com boas classificações. Em Alagoas a disparidade é de 10,7%, e no Piauí, as mulheres ganham 12,6% a menos que os homens
O Ceará e o Acre são os estados brasileiros que apresentam as menores desigualdades salariais entre homens e mulheres, especialmente em empresas com mais de 100 funcionários. De acordo com o 2º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado pelos Ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres em 18 de setembro, a diferença salarial entre os gêneros nesses estados é de apenas 9,7%. Isso significa que, em média, as mulheres recebem 9,7% menos que os homens.
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Esse percentual, embora ainda revele uma disparidade, é significativamente menor do que a média nacional, onde as mulheres ganham 20,7% a menos que os homens. O estudo analisou 50.692 empresas em todo o Brasil, abrangendo mais de 18 milhões de vínculos formais, com uma massa salarial de R$ 782,99 bilhões. A média salarial nacional registrada foi de R$ 4.125,77.
Além do Ceará e Acre, Pernambuco também se destaca no ranking dos estados com menor desigualdade salarial, com uma diferença de 9,9% entre os rendimentos de homens e mulheres. Por outro lado, estados como Espírito Santo e Paraná apresentam os maiores índices de disparidade, com mulheres recebendo 29% a menos que os homens.

Desigualdade de raça e gênero
Uma das preocupações levantadas no relatório é a acentuada desigualdade salarial entre mulheres negras e homens não negros. No Ceará, as mulheres negras ganham, em média, R$ 1.205,54 a menos que os homens não negros, uma diferença significativa que reflete as desigualdades raciais e de gênero persistentes no país.
O Acre, no entanto, surpreende positivamente nesse aspecto, com uma diferença de apenas R$ 14,17 entre os salários de mulheres negras e homens não negros, o menor índice registrado no país. No contexto geral, as mulheres negras no Brasil ganham, em média, apenas 50,2% do salário dos homens não negros. Elas estão majoritariamente concentradas em setores como serviços domésticos, limpeza, alimentação e saúde básica, atividades que geralmente oferecem remunerações mais baixas.
A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner, destacou que essa concentração em setores de menor remuneração, aliada à persistente discriminação de gênero e raça, agrava a situação das mulheres negras no mercado de trabalho. Ela também lembrou que essa desigualdade é estrutural e exige políticas públicas voltadas para a inclusão e equidade.
Ceará e a desigualdade no Nordeste
Apesar das desigualdades persistirem, o Nordeste, especialmente estados como o Ceará, apresenta um cenário relativamente menos desigual em comparação a outras regiões do país. No Ceará, a diferença de 9,7% entre os salários de homens e mulheres coloca o estado entre os mais equitativos do Brasil.
Outros estados nordestinos também aparecem com boas classificações. Em Alagoas, por exemplo, a disparidade é de 10,7%, e no Piauí, as mulheres ganham 12,6% a menos que os homens. Esses números indicam um esforço regional para reduzir as diferenças salariais, apesar das dificuldades econômicas e sociais que ainda afetam o Nordeste.

Estados com maior desigualdade
Por outro lado, a situação é mais preocupante em estados como Espírito Santo e Paraná. No Espírito Santo, as mulheres recebem 29,2% a menos que os homens, enquanto no Paraná a diferença é de 29,1%. Em outros estados, como Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro, as diferenças variam entre 27% e 28%, revelando uma situação ainda crítica em várias regiões do país.
Em termos de salário, o Distrito Federal apresenta a maior média salarial do país, com R$ 5.735,13. No entanto, mesmo com uma remuneração mais alta, as mulheres negras ganham consideravelmente menos, com uma diferença salarial de 11,1% em relação aos homens não negros.

O caminho para a equidade
O 2º Relatório de Transparência Salarial oferece uma visão detalhada das desigualdades de gênero e raça em todo o Brasil. Embora estados como Ceará, Acre e Pernambuco mostrem avanços, a luta por equidade salarial ainda é longa, e as diferenças, especialmente para mulheres negras, continuam a ser uma realidade alarmante. O relatório destaca a importância de políticas públicas que promovam a inclusão e reduzam essas disparidades, visando um mercado de trabalho mais justo e igualitário para todos.
Fonte: Agenciagov



