CNU 2024: abstenção alta marca maior concurso da história com 1 milhão de participantes
O Distrito Federal registrou a menor taxa de abstenção, enquanto o Ceará teve a maior, embora os porcentuais específicos não tenham sido divulgados
O Concurso Público Nacional Unificado (CNU), conhecido como o “Enem dos concursos”, registrou um comparecimento estimado de cerca de 1 milhão de candidatos no domingo, 18 de agosto. Com mais de 2,1 milhões de inscritos para 6.640 vagas distribuídas em 21 órgãos federais, o evento consolidou-se como a maior seleção de servidores já realizada no Brasil.
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A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, em entrevista coletiva, destacou que a abstenção, apesar de alta, ficou dentro das expectativas para um concurso dessa magnitude, com cerca de 50% dos inscritos ausentes. Ela comparou a abstenção a de outros certames similares, afirmando que a média histórica em grandes concursos gira em torno de 40% a 50%. O Distrito Federal registrou a menor taxa de abstenção, enquanto o Ceará teve a maior, embora os porcentuais específicos não tenham sido divulgados.
Dweck ressaltou que os candidatos de nível superior foram os que mais compareceram, enquanto a maior parte das ausências foi registrada entre os candidatos às vagas de nível médio, especialmente no bloco 8, que possuía a maior concorrência. Em contrapartida, a área ambiental, agrária e biológica (bloco 3) registrou a menor taxa de abstenção.

Mesmo diante do elevado número de faltosos, a ministra comemorou a presença de 1 milhão de candidatos, destacando que o concurso reflete a diversidade do país. “Nosso objetivo era mudar a cara do serviço público brasileiro e deixá-lo com a cara do Brasil“, afirmou.
Os inscritos no CNU vieram de quase todos os municípios do Brasil, com exceção de apenas dez cidades. Apesar do adiamento inicial das provas, que estavam previstas para maio e foram transferidas para agosto devido às fortes chuvas no Rio Grande do Sul, a ministra não acredita que a mudança tenha sido um fator determinante para a alta abstenção. “Permitimos que as pessoas desistissem e recebessem o reembolso da taxa de inscrição, mas poucas optaram por isso“, explicou.

O concurso transcorreu sem grandes incidentes, com apenas 0,2% dos locais de prova registrando ocorrências, como atrasos. Cerca de 500 candidatos foram eliminados por condutas proibidas, como sair da sala com o caderno de questões, o que não comprometeu a segurança do certame.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, presente na coletiva, elogiou a baixa judicialização do concurso, o que reforça a confiança na correção da aplicação. Nenhuma ação judicial foi apresentada nas últimas 48 horas, um número notável para um concurso dessa escala.
As provas, realizadas em 228 cidades, começaram às 9h e foram concluídas entre 17h30 e 19h, dependendo do bloco de conhecimentos escolhido. O caderno de questões foi disponibilizado online no mesmo dia, e o gabarito oficial preliminar será divulgado em 20 de agosto. O resultado final está previsto para 21 de novembro de 2024.

Entre os desafios do exame, a redação se destacou, exigindo dos candidatos do bloco 8 um texto dissertativo-argumentativo. Especialistas apontam que o tema abordou questões complexas como educação, progresso científico e tecnológico, desigualdade econômica e desenvolvimento social, exigindo uma abordagem completa para a elaboração da solução.
O CNU 2024 representa um marco na história dos concursos públicos no Brasil, refletindo a magnitude e a diversidade do país, ao mesmo tempo em que impõe novos desafios para os futuros servidores públicos.
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Com informações da Agência Brasil e Estado de S. Paulo

