Mamãe, Maria Alice Sombra Saraiva, Lilia para os familiares, fez a passagem.

Aos 4 de junho de 2018, Papai Saraiva partiu para outro plano. Hoje, 14 de dezembro de 2023, a cidade em clima natalino, partiu Mamãe Sombra ao seu encontro.

Em verdade, mamãe acordou do sonho da vida material e partiu para a vida eterna.

Mulher bem casada, mamãe não só admirava papai, nem só o amava. Era devota de Saraiva, como bem lembra meu irmão mais velho Flávio Sombra Saraiva.

Tentei imitá-los, casei aos 33, como fez papai, e com uma moça uma década mais nova, como era mamãe, com quem tive duas filhas lindas.  As coisas andaram parecidas, mas não superei meu modelo de família.

Nunca vi uma coisa errada, um deslize, um mal exemplo de comportamento dessa senhora, minha mãe, Maria Alice Sombra Saraiva.

Mas era dura viu!

Quando escuto alguém dizer que “se você acha sua mãe chata, você é um filho bem sucedido”, só lembro de mamãe e de nossa casa, de nossa família.

Eu, o mais atirado dos 4 filhos dela, tive a ousadia de dizer na frente dos meus irmãos que mamãe era uma chata. Talvez eles não lembrem, mas arregalaram os olhos nesse dia. Como quem dizia, rapaz isso é verdade, mas você tem coragem de dizer isso?

Todos concordavam, mas era proibido atribuir algo pejorativo aos nossos pais. Proibido pelo exemplo que sempre foram pra gente.

Fazer o que?

Mas sabe o que aconteceu?

Meu melhor amigo de infância, Miguel Barreto, que era um dos que faziam o cordão dos jocosos, em coro, me apelidando de 5 min, por que mamãe me chamava pra casa, disse, já rapaz:

“Gilson, nosso projeto aqui é criar os filhos como sua mãe fez. Basta olhar para os lados e notar os garotos que vocês se tornaram.”

Abracei Miguel, num misto de riso e choro, entendendo o que ele acabara de dizer.

Maria Alice Sombra Saraiva, obrigado, parabéns. Foi um privilégio ter recebido a vida de seu ventre. O dom da vida e minha profissão. Tentei copiar papai, mas acabei copiando a senhora.

A senhora foi nossa primeira professora na vida, nas letras, nos números, nos reforços e deveres de casa. Foi nosso primeiro leite, primeira em tudo.

A senhora sempre foi uma diva. Porque era e sabia ser.

Uma vez, já na terceira idade. Eu por aqui, o mais travesso da casa, mais desmedido, em especial na leitura dela. Ela encontrou espaço para um comentário: meu filho, hoje em dia é muito bom. Sua vó não me ensinou nada quando fui casar.

Na verdade, na terceira idade, ela e papai deliciavam-se como casal. Cheguei a pegar uma vez. Mas ela reclamava da mãe, porque achava que uma instrução teria deixado ela mais atenta nessa área, no início do casamento. E papai era um gostosão, convenhamos.

Mamãe vá em paz. Eu te amo demais!

Sempre quis que a senhora soubesse disso e de minha admiração pela senhora. Botei seu nome Alice em uma das minhas filhas.

O nome da rainha segue na princesa.

Costumo dizer que Alice nos mostrou o país das maravilhas. E mostrou!

Estou bem! Já chorei!

Agora, só exercitando o amor. Fortalecendo meus laços com ela e aguando meu coração com gratidão e respeito.

Mamãe é isso! A história é dela. Só redigi.

Ela foi quem realmente viveu esse sonho da vida vivida com dignidade.

Papai e mamãe hoje reencontram-se, é vida que segue.

Do seu segundo filho Gilsinho, como gostava de me chamar mamãe Alice.

Obrigado minha irmã Glaucinha, por segurar a mão de mamãe até o último segundo. Você também é uma Diva.

Flávio, Eu, Jr, Glaucinha e Luciana, agora é com a gente. Amo vocês quatro.

 

Por: Gilson Saraiva *

 

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